E quem disse que o chocolate não é um alimento funcional?

Atualizado: Jan 5




O cacaueiro presente na América do Sul e Central produz um fruto popular: o cacau. São produzidos a partir deste alimento a manteiga de cacau, o cacau em pó e nosso queridinho chocolate. Para quem não conhece a história do chocolate, era um alimento sem adição de leite de vaca e açúcar, de alto teor calórico para aumentar a energia em atletas e soldados. Entretanto, diversos estudos atualmente têm demonstrado outros efeitos funcionais presentes neste fruto, como a redução do risco de câncer e de doenças cardiovasculares por conter compostos altamente anti-inflamatórios e antioxidantes chamados de flavonóides.


Além de conter os macronutrientes como carboidratos, proteínas e gorduras, apresenta em sua composição nutricional o cálcio, ferro, magnésio, fósforo, potássio, zinco, cobre, manganês e selênio, além de ser uma importante fonte de compostos fenólicos. Possui também ácidos graxos saturados e monoinsaturados, que são gorduras que estão presentes na manteiga de cacau. Apesar de conter ácidos graxos saturados como o palmítico e o ácido esteárico, varias pesquisas comprovaram que dietas contendo o cacau mesmo em grande quantidades não elevavam as concentrações de LDL e outros estudos revelavam o efeito neutralizador do ácido esteárico no colesterol sérico.


Os ácidos graxos se diferenciam pelo comprimento da cadeia de carbono (que pode variar de 8 a 18 átomos). Os de cadeia média (que possuem de 8 a 12 carbonos) não aumentam os níveis de lipídios no sangue, pois após a absorção intestinal são transferidos para a circulação sanguínea e se ligam às albuminas. Em seguida são transportados, pela veia porta, diretamente para o fígado, onde são metabolizados.

Além disso, o chocolate - que é um dos subprodutos mais consumidos do cacau- se destaca pela suas propriedades funcionais e nutricionais que além de conter a manteiga de cacau, possui maior concentração deste fruto, resultando em um benefício adicional pelo conteúdo de flavonóides. Dessa forma, o chocolate pode modular o melhorar as funções das células endoteliais e, consequentemente, das funções cardiovasculares; bem como modular o estresse oxidativo e a inflamação. Além disso, os flavonóides podem ser coadjuvantes terapêuticos em patologias como o câncer, condições inflamatórias, hiperglicemia e resistência à insulina.


Uma pesquisa publicado pela revista Appetite, investigou por 3 semanas o impacto do consumo de 50g de chocolate amargo em 25 indivíduos em idades de 28 a 45 anos. Eles avaliaram dos dois grupos após consumirem o chocolate, os níveis de HDL e LDL. Os participantes foram orientados a consumir uma dieta com baixo teor de flavonóides e a não consumir outros produtos contendo cacau nesse período. Os resultados concluíram um efeito protetor sobre o sistema cardiovascular devida uma melhora no perfil lipoproteico.

Outro estudo em pacientes com HIV/AIDS em estado inflamatório e oxidativo demonstrou que o consumo de 65g de chocolate amargo por pessoa foi suficiente para aumentar as concentrações de HDL-c. Os indivíduos receberam 65g de chocolate branco como placebo e 65g de uma barra de chocolate amargo, contendo 36g de cacau – correspondendo a uma média 550mg/dia de flavonóides. O grupo que recebeu 65g de chocolate amargo apresentou aumento na concentração média de HDL, ao contrário do grupo placebo, que não apresentou diferenças na concentração média de HDL-c .


Cabe enfatizar que os benefícios citados são associados principalmente à ingestão de cacau em pó 100% ou chocolate amargo. O consumo de chocolate ao leite contém quantidades muito inferiores de flavonóides (devido ao baixo teor de cacau) e podem, ainda, conter outras gorduras de adição que não a manteiga de cacau, assim, os benefícios citados não seriam aplicáveis.


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